Fragmentos do livro quinto
Μελῶν ε΄ ἀποσπάσματα
Nota introdutória
O Livro Quinto da Safo alexandrina chega até nós sobretudo num único objeto arruinado: algumas folhas de um livro de pergaminho, copiado no Egito no século VII depois de Cristo — mil e duzentos anos depois de feitos os poemas —, desenterrado na virada do século XX e tornado legível em Berlim, com reagentes químicos, folha por folha, entre 1902 e 1907. O livro fora despedaçado; o alto e o pé de cada página perderam-se; uma página está apagada além de qualquer leitura. E, no entanto, nas suas duas páginas mais bem conservadas estão duas das maiores coisas que Safo escreveu. Uma é o poema da despedida: "Quero, de verdade, estar morta", começa ele — mas o desespero é citado, não confessado, pois é a outra mulher, que parte contra a vontade, quem o chora, e é Safo quem responde como uma mão firme no ombro: vai em alegria, e lembra-te — e depois, na longa frase que as lágrimas interrompem, ela mesma faz a lembrança: as grinaldas de violetas, os festões trançados na garganta macia, a mirra régia, o leito macio, o desejo solto. Ao luto se responde com um inventário de prazer. A outra é o poema a Átis sobre a mulher que se foi para a Lídia: outrora ela tinha Átis por semelhante a uma deusa, conhecida de todos; agora, entre as mulheres de Sardes, brilha como a lua de dedos róseos que, posto o sol, supera as estrelas — e a luz se derrama sobre o mar salgado e os campos de muitas flores, o orvalho desce, florescem as rosas, o cerefólio e o meliloto, uma noite inteira vertida de uma única mulher ausente — enquanto ela vaga ao longe, o tenro coração devorado pela aflição, gritando que vamos para lá; e a Noite, a de muitos ouvidos, leva pelo mar o que ela grita. Em volta dessas duas estão os destroços: uma lista de vestes e grinaldas em açafrão e púrpura; cinco finais de verso de que só dois ainda se deixam ler; o farrapo que nomeia Gôngila e jura pela bem-aventurada que prazer não resta nenhum, e uma ânsia de morrer; e um único verso, guardado por Pólux, sobre envolver alguém bem em panos macios e felpudos. Cada fragmento é impresso sob o seu número padrão Lobel-Page / Voigt, com a fonte que o preservou anotada, para que cada farrapo seja citável, e as lacunas ficam visíveis de propósito: a sexta página do pergaminho, apagada (LP 97); o fragmento de Cleis (LP 98) e o seu vizinho (LP 99), publicados recentemente demais para que exista texto em domínio público; e a citação corrupta dos paninhos de mão (LP 101), que Ateneu atribui expressamente ao "quinto livro dos poemas líricos" — adiados, não falsificados. O que pode ser lido está aqui, e o que não pode ser lido está honestamente rasgado.
e.. [.. ].. [...
cor de açafrão e [...
um peplo purpúreo.. [...
mantos, pér[sas(?)...
grinaldas.. [... /... /...
púr. [... /...
ΚΑΙΚΛ. [.. ]ΣΑ. [...
ΚΡΟΚΟΕΝΤΑΣΚΑΙ[...
ΠΕΠΛΟΝΠΟΡΦΥΡΑΝ.. Α[...
ΧΛΑΙΝΑΙΠΕΡΣ[...
ΣΤΕΦΑΝΟΙΠΕΡ[... /... (irrecuperável por OCR) /... (irrecuperável por OCR)
ΠΟΡ. [... /... (irrecuperável por OCR)
]... tenho
] donzela
]Α. ΙΑΝΕΧΩ
]ΠΑΡΘΕΝΟΝ
Ela me deixava, soluçando
vezes sem conta, e isto [me] disse:
"Ai, que coisas terríveis sofremos,
Safo — em verdade, eu te deixo contra a vontade."
E eu lhe respondi isto:
"Vai em alegria, e de mim
lembra-te, pois sabes como te prezávamos.
E, se não, então eu quero
fazer-te lembrar — [tu] esqueces(?) —
de quantas coisas [... ] e belas vivemos:
pois [com muitas grinal]das de violetas
e de ro[sas e de... ]s juntas
e [... ] te cingiste a meu lado,
e com [muitos fes]tões
tran[çados em volta] da tua garganta macia,
de flores [... ] feitos,
e com muita [.. ]. mirra
preciosa, r[égi]a,
te ungiste, e [...
e sobre um leito [...
macio, junto de [...
soltavas o desejo [...
e nem algum [...
lugar sagrado nem [... /... /...
ἄ με ψισδομένα κατελίμπανεν
πόλλα καὶ τόδ᾽ ἔειπ[έ μοι·]
»ὤιμ᾽ ὠς δεῖνα πεπ[όνθα]μεν,
Ψάπφ᾽, ἦ μάν σ᾽ ἀέκοισ᾽ ἀπυλιμπάνω.«
τὰν δ᾽ ἔγω τάδ᾽ ἀμειβόμαν·
»χαίροισ᾽ ἔρχεο κἄμεθεν
μέμναισ᾽, οἶσθα γὰρ ὤς σε πεδήπομεν.
αἰ δὲ μή, ἀλλά σ᾽ ἔγ[ω] θέλω
ὄμναισαι, [σὺ δὲ] λ[ά]θεαι
ὄσσα [.... ] καὶ κάλ᾽ ἐπάσχομεν.
π[όλλοις γὰρ στεφά]νοις ἴων
καὶ βρ[όδων... ]κίων τ᾽ ὔμοι
καὶ π[.... ] πὰρ ἔμοι περεθήκαο,
καὶ π[όλλαις ὐπο]θύμιδας
πλέκ[ταις ἀμφ᾽] ἀπάλαι δέραι
ἀνθέων [.... ] πεποημέναις,
καὶ πόλλωι [.. ]. μύρωι
βρενθείωι β[ασιληί]ωι
ἐξαλε[ί]ψαο καὶ [...
καὶ στρώμν[αν...
ἀπάλαν πὰρ [...
ἐξίης πόθε[...
κωὔτε τις [...
ἶρον οὐδ᾽ ὐ[... /... (irrecuperável por OCR) /... (irrecuperável por OCR)
Gôngila. [... (resto do verso perdido)
houve algum sinal. [...
a todos, sobretudo. [... /.. entrou(?). [...
eu disse: "Ó senhor,. [...
] pois não — pela bem-aventurada — [...
] em nada tenho prazer... [...
e uma ânsia de morrer [...
] orvalhados... de lótus [...
]... [... /... /...
ΓΟΓΓΥΛΑ. [... (resto da linha perdido por OCR)
ΗΤΙΣΑΜ᾽ΕΘΕ[...
ΠΑΙΣΙΜΑΛΙΣΤΑ. [...
ΜΑΣΓ. ΙΣΗΛΘΕ. [...
ΕΙΠΟΝΩΔΕΣΠΟΤΕ. [...
]ΥΜΑΓΑΡΜΑΚΑΙΡΑΝ[...
]ΥΔΕΝΑΔΟΜ....... [...
ΚΑΤΘΑΝΗΝΔ᾽ΙΜΕΡΟΣΤΙΣ[...
]ΛΩΤΙΝΟΙΣΔΡΟΣΟΕΝΤΑ. [...
]ΟΙΣ. ΔΗΝΑ. Ο[... /... (irrecuperável por OCR) /... (irrecuperável por OCR)
[... mui]tas vezes voltando o pensamento para cá —
como outrora vivíamos. [... ]. ela te tinha
por semelhante a uma deusa, conhecida
de todos, e com o teu canto sobretudo se alegrava.
Agora ela sobressai entre as mulheres
da Lídia, como, quando o sol
se põe, a lua de dedos róseos
supera todas as estrelas; e a sua luz se estende
por sobre o mar salgado
e, por igual, os campos de muitas flores.
E o orvalho em beleza se derrama, e as rosas
florescem, e o tenro cerefólio
e o meliloto em flor.
E muitas vezes, vagando longe, ao lembrar-se
da meiga Átis, de saudade
a aflição, decerto, lhe devora o tenro coração.
E grita alto que vamos para lá — e o que nós
não compreendemos(?), a Noite, a de muitos ouvidos,
clama(?) [... ] o mar.
[... πόλ]λακι τυίδε [ν]ῶν ἔχοισα
ὠς ποτ᾽ ἐ[ζ]ώομεν· β[.... ]. ἔχεν
σε θέας ἰκέλαν Ἀρι-
γνώτα, σᾶι δὲ μάλιστ᾽ ἔχαιρε μόλπαι.
νῦν δὲ Λύδαισιν ἐνπρέπεται γυναί-
κεσσιν ὤς ποτ᾽ ἀελίω
δύντος ἀ βροδοδάκτυλος σελάννα,
πάντα περρέχοισ᾽ ἄστρα, φάος δ᾽ ἐπι-
σχει θάλασσαν ἐπ᾽ ἀλμύραν
ἴσως καὶ πολυανθέμοις ἀρούραις.
ἀ δ᾽ ἐέρσα κάλα κέχυται, τεθά-
λαισι δὲ βρόδα κἄπαλ᾽ ἄν-
θρυσκα καὶ μελίλωτος ἀνθεμώδης.
πόλλα δὲ ζαφοίταισ᾽ ἀγάνας ἐπι-
μνάσθεισ᾽ Ἄτθιδος, ἰμέρωι
λέπταν ποι φρένα κῆρ ἄσα βόρηται.
κήθυι δ᾽ ἔλθην ἄμμε ὄξυ βόα, τὰ δ᾽ οὐ
νῶντ᾽ ἄ[γ]γελα νύξ [.. ] πολύως
γαρύε[ι.... ] ἄλος